segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Doer dói mas...

Doer dói mas...
Teve um tempo que no popular se dizia: de graça, até injeção na testa. Bons tempos aqueles porque hoje uma injeção na testa, bem aplicada, custa no mínimo  R$300,00. Claro que não é qualquer injeção, dentro dela  vai um produto chamado Toxina Botulímica, mais conhecido como BOTOX (injusto não dar um destaque a esse que, literalmente nos salta aos olhos). Alegria da mulherada de 30, 40, 50  e, de muito marmanjo também. Quase ninguém assume que fez! Para estes procedimentos já existem outras variações de produtos e locais. Em volta  dos olhos, na testa e no famoso “Bigodinho Chinês”. Aquele vinco que vai se formando ao redor da boca e deixa a gente com cara de boneco de ventríloquo. Neste local, o produto deve ser outro. Em função de uma maior movimentação pra mastigar, pra falar, pra sorrir, beijar e outras gostosuras da vida, deve ser aplicado o “Ácido Hialurónico”, este, bem mais caro, por baixo uns R$700,00 porém, de  efeito prolongado.  Todos estes recursos e outros mais nos fazem um bem danado. É como se estivéssemos enganando o tempo e, principalmente as pessoas. Tudo por uma carinha mais esticadinha com pele de menininha. Quem não quiser enfraquecer a amizade  não questione quando aquela sua amiga que nasceu um ano antes de você  disser que, inacreditavelmente,  está com 38 anos  e você  com os seu honestos 40 e poucos. Também não precisa ser tão honesta! Depois de toda essa apologia às substâncias e procedimentos rejuvenescedores é preciso uma boa dose de realismo. Falando assim parece bem simples, e é.  Simples porém, DOLOROSO! Pensa na maior dor que você já sentiu na vida e multiplique por quantas vezes  a sua memória suportar. É isso, mesmo com pomadinha anestésica de efeito muito mais psicológico que físico, a dor é do mal. Conforme a agulha vai entrando você vai se contorcendo, se esticando, perdendo a compostura e qualquer traço de dignidade que restar.  Numa dessas minhas incursões ao mundo da busca pela eterna juventude o médico falou que ia aproveitar a sobra da minha ampola, ela fica guardada na geladeira com o nome da gente e tudo. Parece coisa da medicina moderna tipo banco de sémen, banco de óvulo, banco de embrião, nesse caso nem sei banco de quê. O fato é que o doutor resolveu aplicar a sobra no lugar que ele chamou de “Arco do Cupido” (aquela curvinha que tem acima do lábio superior). Esse doeu mais que todos os outros que já experimentei. Não sei se a memória tá curta mas, não me lembro de uma dor tão, sei lá, tão doída.. Aí falei com ele, isso não é o Arco do Cupido, é o “Arco da Capeta”, porque vai doer assim lá no meio do inferno!
Bom,dizer que não dói, mentira. Doer dói mas, vale pelo  sorriso que fica estampado no rosto da gente, ele é constante, compensa a dor. É um sorriso permanente sabe, um sorriso fixo. Não de alegria, porque ninguém consegue ficar alegre o tempo todo.  Um sorriso que só se desfaz quando o  Botox vai acabando  e aí é hora de começar tudo de novo.  Doer dói mas...

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