Patropi
Não sei se alguém se lembra de um personagem do programa do Chico Anísio chamado Patropi. Ele era um cara que sempre dizia estar se sentindo “assim, meio, sei lá, entende”?
É, tem dias que eu também me sinto assim. É uma vontade de sei lá o quê. Sei lá, entende? Acho que de chorar, gritar, gargalhar ou só sentir. Parece um dia desses que amanhece nublado, depois, abre um lindo sol, aí nubla de novo e cai um temporal. Depois, como se nada tivesse acontecido, vem o sol de novo e ficam apenas o chão e as folhas molhadas e aquele cheirinho de terra, da poeira que baixou, da sujeira que desceu na enxurrada.. Igual quando a gente chora muito e depois fica com o olho vermelho e o nariz inchado mas, com a sensação de leveza na alma.
Acho que é assim que a gente lava as nossas mágoas também. As nossas dores e intemperanças. Haja chuva e haja lágrima pra levar e lavar tanto lixo emocional. Tanta coisa que guardamos e vamos deixando acumular dentro de nós. Ocupando um espaço que poderia estar sendo aproveitado para novos sentimentos, novas emoções, novas pessoas...
E depois, de tempos em tempos, a faxina. Essa que muitas vezes fazemos no quarto, no nosso armário e jogamos um tanto de coisas no lixo, outras doamos e depois do espaço livre conquistado, conseguimos colocar as coisas em ordem. Organizar tudo e facilitar a vida. Até a bagunça se instalar de novo pois, o tempo é corrido e vamos tirando as coisas do lugar sem perceber.
E começa tudo de novo, a necessidade de chuva e de lágrimas, a vontade de fazer outra faxina e a falta de coragem de começar. Ás vezes a gente pensa que não vale à pena pois, vai bagunçar tudo de novo. Mas é isso, a vida é cíclica, ainda bem! Imagino que se fosse diferente não teria a menor graça.
Nenhum comentário:
Postar um comentário